
Tactear timidamente o teu olhar cansado
Mas sempre atento e novo
Como água cantando em jovem fonte
O teu olhar doce e duro, e sapiente.
Cego tacteá-lo.
E saber de cor os sinuosos sulcos
Caminhos que o tempo desenhou
Nesse teu rosto,
Cartografia Caprichosa.
E embalar esse sorriso triste
Todavia ainda iluminado
À luz de cada ideia generosa.
E afagar os cabelos revoltos
Que são tuas serpentes
Soltadas aos ventos e aos poderes
Ah, não morreras tu
No dia do teu crime
Nesse heróico momento de revolta!
Creontes timoratos tua pena comutaram
Vale mais a morte que desterro eterno.
Crucificada estás para a História
A nossa tibieza é que te mata.
Lentamente te esvais
E a tua vitória só persiste
No coração dos que amam a Verdade
Para os demais, já nem sequer és linda
“Foi certamente bela um dia” – dirão outros.
A isto se resumira a sua filosofia
E a tal limitarão a tua história.
In Escadas do Liceu, VI - Ocasos.
