
Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trêmulos arrancos.
E logo ela é só flama, inteiramente.
Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.
Então como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.
Rainer Maria Rilke

3 comentários:
Querida Yo. É sempre com agrado que vejo você postar, sempre com muito sentimento. Na dança do fogo me perco em erotismo e desejo. Beijinhos.
Poesia é difícil; é preciso preparação até pra ler.Sei lá, você transforma suas coisas simples numa das coisas mais encantadoras que existe!
Por isso que sempre dizendo que sou prosa que quer poesia!
Como o nórdico Rilke conseguiu captar e transmitir-nos tão bem o fogo da Andaluzia... a poesia não tem a ver com a latitude.
Beijinhos ibéricos:)
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