Quinta-feira, Março 09, 2006

ÉDIPO - Paulo Ferreira da Cunha




Difíceis as veredas ao caminheiro do Ser.
Ousados, os trilhos na encosta mansa
lentamente à sombra da brisa aveludada
E fresca a luz interior que nos acende inteiros
no banho nocturno
em lago azul bordado a lua cheia.

E é o céu de anil toldando a consciência
o de Orfeu os mistérios, sanguinolentos negros
em tropel fogo de corações e gestos
E as árvores na claridade nacarada
palpitando c'oa noite enchendo-nos segundos.

Que é do Infinito indefeso grão de nada?
Eleva-se o perfume, circularmente, em elipses quentes
Cerrado é bosque em sombras no termo dos ofícios.
Tacteia em vão o caminhante o seu retorno
Sísifo fútil na conjura feroz dos elementos.

Escorre angústia em cada hiato sempre
possibilidade em todos os olhares
e a mácula perpassa acusadora penetrando
o mínimo detalhe
dessa paisagem fria.


In Escadas do Liceu, VI - Ocasos.

5 comentários:

Alícia Melo disse...

Yo! Eu nem sabia que vc tinha tb! =P =)
E só coisas que eu adoro ver! Eita! =)))))

=*****

Victor disse...

Querida Yo. Maravilhosa partilha. O sentir de um caminhante, do romeiro do sentir, é sempre um encantamento. Beijinho.

viktor disse...

Obrigado pela visita no BonaMusica. A tradução/versão do Lied de Heine é excelente.

Já agora, belo blog. Poemas fantásticos.

Volte sempre. Bjs :)

Um mundo novo aos corações corajosos! disse...

"e a mácula perpassa acusadora penetrando
o mínimo detalhe"...acho que já sentí isso alguma vez.Vai ser bom conhecer esses poemas por aqui...tenha certeza.
Bjo.

Anônimo disse...
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